Por Gerson Araújo – Vila Velha-ES, domingo, 6 de julho de 2025, em casa…
Valor
Qual o valor do que está ao alcance das mãos, mas não mais ao alcance do olhar? Aquilo que eu tinha todos os dias e achava ser igual, mas com o passar do tempo fui percebendo que era inigualável cada momento passado ao presente momento.
Vivemos cercados por coisas, pessoas, gestos e sinais que perderam o valor. Não porque deixaram de ser valiosos, mas porque deixamos de percebê-los. O essencial se esconde no que é silencioso. Está ali — ao lado — esperando que a gente pare, repare, respire e viva aquele momento.
O valor das coisas não mora na novidade, mas na permanência. No café que ainda está quente. No olhar que ainda insiste em nos ver. No toque que ainda nos alcança.
Tempo
Quanto tempo ainda resta enquanto o tempo que tenho escorre entre os dedos?
A vida acontece nos pequenos rituais: sentar-se sem pressa, olhar alguém nos olhos, sentir o cheiro da chuva, conversar como se o mundo fosse acabar amanhã. E talvez acabe.
Há um tempo que se mede no relógio, e outro que se mede na memória. E é nesse segundo que mora o que realmente importa. O tempo que você viveu olhando o mundo, e não apenas atravessando ele.
Não sabemos quanto tempo ainda temos pela frente. O único tempo que realmente temos — é agora.
E mesmo esse, às vezes, deixamos escorregar.
Distância
Estamos tão perto… e tão longe.
Cercados por vozes, mas em silêncio.
Conectados por cabos invisíveis, mas desligados da alma.
Vivendo lado a lado, mas sem atravessar a ponte da presença.
A cada dia, mais gente, menos vínculo.
Mais falas, menos conversas.
Mais encontros, menos comunhão.
E o mais curioso é que talvez aquele que esteja mais longe fisicamente, seja o único que consiga, de fato, te abraçar quando o mundo desabar.
A distância real não é medida em metros — mas em ausência de escuta, de interesse, de verdade.
Hoje
Que dia é hoje?
Quantas vezes você já ignorou o milagre de estar aqui?
Quanto da sua vida está passando despercebida, enquanto você corre atrás de algo que talvez nem queira de verdade?
Quantos estão perto, mas você não vê?
Quantos estão longe, mas pensam em você com saudade?
O hoje é o único dia que temos para mudar o rumo de qualquer coisa.
Depois pode ser tarde. Ou nunca mais.
A Falta de Conexão
Vivemos lado a lado.
Nos olhamos, mas não nos enxergamos.
Nós tocamos, mas não nos sentimos.
Nós falamos, mas não nos escutamos.
Talvez até conversemos, mas não nos entendemos.
Ficamos sempre a um passo do que deveríamos dizer, por medo ou orgulho.
E esse passo não dado é o abismo que cresce entre nós.
E o mais trágico: muitas vezes perdemos quem mais precisava de nós, simplesmente porque não perguntamos.
Porque não ouvimos.
Porque não ficamos.
O Encontro Necessário
Quem sabe um dia…
A gente chega ao ponto exato onde o que eu precisava dizer é o que você estava esperando ouvir.
Que esse encontro não seja tarde demais.
Que aconteça enquanto ainda há tempo.
E que dure o suficiente para curar o que o silêncio machucou.
Se puder…
Segure minha mão com firmeza, mesmo quando tudo parecer escuro.
Cultive gratidão por tudo que ainda existe, mesmo quando parece pouco.
Olhe para cima e alimente-se do que não se vê.
Ultrapasse os muros invisíveis que insistem em te impedir.
Regue suas sementes de esperança, ainda que com lágrimas.
E espere, com fé, que o amanhã possa ser diferente — mais leve, mais doce, mais possível.
O Milagre de Estar Vivo
Você não precisa esperar um milagre.
Você é o milagre.
Desde o dia em que abriu os olhos pela primeira vez, já era.
Cada batida do seu coração é uma chance a mais.
Cada respiração é um chamado à vida.
E este momento — em que você lê essas palavras — é a prova de que ainda há tempo.
Você está aqui.
Vivo.
Capaz de recomeçar.
E se em algum dia pensou em desistir, por dores pequenas demais diante da grandeza da sua vida…
Saiba que o tempo te deu uma nova chance.
O maior valor que você tem…
É você mesmo.
Se este texto te tocou, não o guarde só para si.
Compartilhe com alguém que talvez precise lembrar o quanto a vida ainda vale a pena.
Escrito em um domingo qualquer, para lembrar que nenhum dia é comum quando se está vivo.
Gerson Araujo
